porque um perde seu precioso tempo ficando de banzo quando poderia estar escutando Ramones, minha gente??!! eu, hein!
eu fico aqui pensando como as pessoas sentem de um tudo, viu…eu achando ruim porque não tive o amor que um dia quis e sonhei e vejo uma pessoa próxima que não sabe se quer o amor de outra que qualquer um sonharia. eu choro por frustração e a pessoa chora por dúvida e insegurança. eu passo meu sábado aqui só na frente desse computador imaginando o dia que, pra mim, estar à frente do computador num dia de sábado, não será a tragédia grega e a pessoa passa a sua noite de sábado incomodada por não saber se é lá que ela quer estar naquela noite de sábado.
eu, sinceramente, não fico calma quando eu percebo que muita coisa ainda pode acontecer: de um tudo, sabe…de eu me sentir por baixo e de eu me sentir responsável pela tristeza de alguma pessoa querida. eu sinto até um pouco de medo.
como diria um amigo meu, deve ser a vida apenas. é a vida acontecendo. e isso não é o fim do mundo. acorde, Juliana, não é o fim do mundo.
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ahá! o tempo tá passando rápido demais, e se achava que eu ia estar aqui maldizendo a vida porque nada acontece na minha vida, deu com os burros n’água. caramba, estamos no mês oito e, mais uma vez, enganou-se se achou que iria maldizer o pobre agosto. voltando, estamos a um pouco mais de quatro meses para o fim do ano e a parte melhor do meu dia é justamente quando eu risco os dias na minha folhinha de calendário imaginária. tá chegando, oquei. porque eu não sei de onde vem essa confiança/esperança/vontade, mas eu tô aqui sentindo que quando eu largar o posto de otariazona 2009, como diriam os sábios, a cobra vai fumar.
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um dia passa, ah, se passa. um dia esse coração pára de bater apertado, um dia, as lembranças boas e as ruins que teimam em voltar a todo instante vão embora. um dia passa essa mágoa e a tristeza de achar que se enganou com alguém que você sempre amou muito. e quando passar, cara, eu vou estar aqui do mesmo jeito que sempre fui, do mesmo jeito que uma dia eu fui querida.
isso é um alívio.
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Ah, coração
Bate mais devagar , coração
Ah, coração
Toma jeito em meu peito, senão
Eu vou morrer
Nessa saudade sem fim
Não bate assim
Faz, coração, que ela volte
Ah, faz que sim, coração
Ah, volta não
Ela não gosta de mim
Ela é assim
Mais certo é que ela não volte
Ah, faz que não, meu coração
Ah! Ilusões,
Corações nunca batem iguais
Ah, batem sim
Por que é que o amor não tem paz
É sempre assim
Esse martírio sem fim
Ah, que ilusão
Ela não quer mais voltar não
Ela não tem coração, não
(Vinicius de Moraes)
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Dia desses, eu lembrava de Janiela, uma menina de 12 anos, franzina, de olhos claros, com seu nariz levemente árabe e usando como acessório, um vistoso brinco de penas azuis. Janiela é uma garotinha que vive no sertão do Ceará, a 200 km de Fortaleza, num povoado da Serra do Cafundó e que conheci através de um programa de TV, o Profissão Repórter, em que mostrava pessoas que viviam em áreas isoladas em diversos cantos do país.
O programa, na oportunidade, mostrou uma tribo de índios que vivia completamente isolada em Rondônia; um grupo de 6 famílias que viviam na Ilha de Santa Bárbara, em Abrolhos e, por fim, pessoas que viviam na tal Serra do Cafundó que, pelo nome, dispensa maiores comentários. Pra quem se interessar, é só ver o programa: http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa/2009/06/08/nesta-terca-os-isolados/
Na minha singela opnião, fã que sou do programa e do seu apresentador principal e idealizador, esta foi uma das minhas reportagens favoritas. Não pela técnica ou pelo bom jornalismo, porque disso, infelizmente, eu não entendo nada, mas porque foi um daqueles programas que me emocionou, me fez refletir às 00:00 hrs e me fez ver de como reclamamos muito e sempre e de coisas sem muita importância e exaustivamente e repetitivamente e irracionalmente e conectivamente e sempre mais e mais.
Mas bem, voltando à menina Janiela: a reportagem mostrava a dificuldade que ela e outras crianças, que também viviam no Cafundó, tinham em freqüentar a escolinha que fica no pé da serra, além de mostrar as condições de vida, saneamento básico e etc da família de Janiela, em específico. Não preciso dizer que tudo era bem difícil, como duas horas e meia pra ir e voltar da escolinha, alimentação deficiente, dificuldades no trajeto casa-escola, e tantas outras.
Mas a menina Janiela, apesar de todas as dificuldades, e em grande parte por não ter noção da miséria, descaso e sobrevivência penosa, mostrava-se uma menina determinada, com vontade de ”ir pra escola porque é melhor ir pra lá do que ficar sem aprender nada”, uma menina doce que, espontaneamente, mostrou seu desconhecimento mesclado com desinteresse sobre o celular do apresentador, uma menina firme que nunca havia tido bolo de aniversário e que, nem por isso, aquilo era o fim do mundo. Talvez não fosse o fim do mundo pra Janiela que nunca foi apresentada à costumes cotidianos de pessoas que têm uma renda pequena que seja. Uma menina acostumada a tirar das vagens secas os feijões plantados pelos pais e que serviriam para a própria alimentação.
Janiela nunca soube que o “normal” é freqüentar escola sem maiores sobressaltos, como o de encontrar uma onça no meio do caminho; o “normal” é ter livros e uma mochila pra levar o material; o “normal” é ter uma casa com banheiro, cama, mesa; o “normal” é ter bolo, docinhos de aniversário e receber abraços e beijos da família e amigos. Ainda assim, mesmo sem saber do que é normal ou não, aquela menina de olhos verdes, por total desconhecimento, era uma menina doce, meiga e comunicativa. Talvez por não saber da sua condição, talvez por ser criança…
A menina Janiela é quem eu hoje gostaria de ser um pouco, com a diferença de que eu tenho uma percepção do que me cerca, do que é “normal”, do que eu sou, do que eu sinto, do que eu tenho e do que eu, irresponsavelmente, reclamo. Não tenho me dado direito de reclamar de quase nada sempre que me lembro da doce, meiga, determinada e comunicativa Janiela, da minha querida Janiela.
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