Sou uma simples praticante e, principalmente, me tornando apenas uma simples curiosa do Yoga. Antes eram só os ásanas, a força, o equilíbrio, a transpiração, a respiração desordenada. Com o tempo, começou a vir o interesse maior não só sobre a prática, mas também sobre o porquê da prática dos velhos hindus.
Não vou arrotar aqui traduções de sânscritos, nem contar as várias histórias dos milhares de deuses da Índia. Acredite: eu sei tanto quanto aquela senhora que compra bananas na feira. Mas bem, devo confessar que foi só depois de quase um ano de prática que comecei a me entusiasmar mais com o vasto universo que circunda a filosofia ioguin. Você pode achar balela ou papo de quem não tem algo mais interessante pra pensar ou se preocupar, você pode até pensar que “meu deus, a Madonna e o Sting fizeram lavagem cerebral em mais outra cabecinha do Ocidente”. Mas não é não.
Quando entrei no Yoga, pensei que tudo ia ser fácil, ainda mais pra mim, que sempre fiz natação e pedalava quase que diariamente: ledo engano. Não ache que você vai chegar lá, esticar seu tapetinho no chão, fazer umas torçõezinhas, entoar uns mantrazinhos e tchau, professor. Nesse momento, vi que justamente o Hatha Yoga por ser uma vertente mais dura, mais vibrante, mais corpo, mais suor seria um desafio pra mim. E ainda está sendo um desafio. E acho que será um desafio até o último dia em que fizer uma saudação ao sol. Falo com o entusiasmo de uma criança, admito, mas cada aula é diferente, cada dia é diferente para uma prática e, o mais gratificante, cada dia é um dia diferente pra você descobrir algo a mais naquela postura que você acha que domina e não tem mais o que tirar dela.
Hoje, o que predomina ainda na minha prática é a busca pela perfeição dos ásanas e na conquista daqueles ásanas de força (onde encontro a minha maior dificuldade), na combinação sincronizada da minha respiração com o movimento corporal, na concentração que devo manter diante de um ambiente aprazível ou inóspito, na contenção da vaidade e do ego por ter conseguido finalmente esticar a perna… Afinal não é esse o fim da prática.
Creio que foi a partir do dia em que fui presenteada pelo meu professor (que, diga-se de passagem, apesar de ter sido meu único professor, é um excelente e dedicado mestre, meio turrão, mas extremamente assistente aos alunos) com um calhamaço de apostilas de Yoga que versavam sobre os mais variados temas: posturas, alimentação, karma, mantras, tapas, contos, dicas para evitar lesões, gravuras dos deuses hindus (tudo colorido =~). Uma leitura para meses. Na mesma época, ganhei de um amigo o livro Light on Yoga de Iyengar, e me deparei com uma Nellie não só mais interessada na feitura do sirshasana pura e simplesmente, mas também no que era preciso pra executar tal postura, os seus benefícios, dificuldades e recomendações e, veja você, o porquê do nomezinho.
Hoje o meu surya namaskara não é só mais corpo, junto com ele, eu inspiro e exalo, tento cantarolar mentalmente o mantra da saudação ao sol, tudo em busca de uma prática simétrica e mais além: revigorante.
Surya Namaskara B
E nem reclame, dona Nellie, porque neguinho hindu diz que são 108 saudações ao sol, podendo ser dividido em 54, depois 27. Você ainda está em 10. É um longo caminho.
Gayatri Mantra (mantra de saudação ao sol)
OM
BHUR BHUVAH SVAH
TAT SAVITUR VARENYAN
BHARGO DEVASYA DHEEMAH
DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT
