algo sinistro estava por acontecer agora: custou lembrar a senha deste meu diário virtual. mais uma vez me dei conta de que eu o abandono aqui jogado na esquina de minhas pastas compartilhadas e depois o recolho novamente com um paragráfo inicial de desculpas. é assim mesmo que somos: não damos dando antenção àquilo que nos ameniza os sufocos diários.
bueno, hoje li em algum lugar que estamos no ducentésimo dia do ano e que só faltarão mais cento e sessenta e cinco dias para nos livrarmos de dois mil e onze. livrar, entenda, no sentido de deixar partir, sem ranço, djibuôa…e é assim que a (minha) vida vai andando, tal qual dois mil e onze. longe de mim reclamar por reclamar, aliás, eu tenho 30 anos, acho que nem combina mais eu ficar escrevendo mimimis e nhénhénhéns. eu agora reclamo, caros, do crhonos que tá caro ou que não aceita mais refil, reclamo da minha falta de motivação afetiva em cultivar relações interessadas apenas em diversão e noites de loucura e prazer (uh!), reclamo que ainda não tenho nem previsão de ter um lindo filhinho, reclamo que não consigo me tornar vegan, reclamo da falta que uma verdadeira amizade faz às quintas de madrugada, reclamo a saudade de um coração machucado, porém, mais vivo que a floresta amazônica, mais sofrido que a Somália, mais sincero que um participante de reality show.
é, em dois mil e onze acho que continuo reclamando. menos, muito menos, ao menos.